terça-feira, 7 de outubro de 2008

MAQUIADOS MAQUIAVÉLICOS



Vivemos mais um ano de eleição, os velhos e glorificados ideais de Democracia se renovam, mais uma vez, “Zé Povinho” se enche de esperança ludibriado pela crença na capacidade transformadora da política (sim, aquela com “p” minúsculo, pois Política é um conceito bem mais amplo não se restringindo unicamente ao voto); Exercemos, esperançosamente, nossa “cidadania” (outro conceito que foi defasado ao longo dos tempos, restringindo-se ao exercício do voto) buscando, através do voto, transformar a realidade. É a surrada história de Democracia, onde elegemos os nossos representantes, não obstante todo debate acerca da Democracia, emerge a hesitação, ao interesse de quem respondem tais representantes?

A palavra Democracia logo nos trás à mente o conceito mais usado: DEMO = POVO + CRACIA = GOVERNO, apesar da utópica realidade a qual nos remete a palavra, não hesitamos em crer na sustentabilidade do modelo em vigência. Como propõe Guilhermo O’Donnel, o que ocorre é uma Democracia Deliberativa, e nunca Representativa; Os ascendentes ao poder, iludem a cada quatro anos “Zé Povinho” que, a meu ver, já desistiu da mudança Democrática (se é que podemos falar de Democracia no Brasil). Como diz O’Donnel, há mais uma deliberatividade que representatividade no Brasil, isto é, não há uma mudança efetiva se o “representante” não é verdadeiramente determinado, pois não há meios de cobrar uma boa gestão, e no fim, a “Justiça” Eleitoral sempre absolve tais indivíduos, deturpando, desta forma, o modelo, onde facilmente nos corrompemos por dinheiro.

Vivi boa parte da vida numa cidade interiorana em um Estado conhecido pela sua taxa de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria, e posso perceber, até hoje, apesar de tudo o que já foi debatido acerca de Política (Essa com “P” maiúsculo, na qual debate-se a manutenção do Estado ou da Polis), não nos desprendemos de nosso modelo tirânico, até mesmo, pasmem, voto de cabresto; Ainda calamos nossas bocas frente às diversas ilegalidades que aparecem, como se não bastasse, a “Justiça” se faz conveniente a tais práticas, ou finge não ver isso que ocorre.

É tudo muito belo, os candidatos abraçando todos, visitando casa a casa, em outros termos, “colocando a sociedade no colo”, entretanto, me entristece, e me faz, por vezes desacreditar neste modelo, quando percebemos, no ano subseqüente (deixem-me aproveitar o trema “ü” que ele vai sumir com a reforma lingüística) uma realidade totalmente distinta, onde “Zé Povinho” é totalmente esquecido e os representantes, representam muito bem, os seus próprios interesses, e nunca os interesses da sociedade.

Percebe-se, então, que o ideal Democrático, acima mencionado, é totalmente esquecido, até o terceiro ano, pois no terceiro ano é o ano de efetuar algum projeto a fim de tentar mais uma vez a reeleição... E a política vai seguindo desta forma, vota-se sempre a favor de interesses próprios nenhum artifício é criado para regular a atividade dos tais representantes, e ano a ano, “Zé Povinho” vai ficando cada vez mais excluído, pois a representação é feita sempre em nome de uma minoria, a maioria excluída dos interesses vai sendo anualmente assassinada de fome, ignorância, em sua saúde, derrotada diuturnamente pelos detentores do poder. E jogado ao chão de uma praça suja, “Zé Povinho”, já sem forças para lutar, adormece, sem o abraço ou aperto de mão daquele que outrora dissera ser seu amigo, e prometera lutar para mudar a realidade...


Barra do Corda – MA, 05 de outubro de 2008


P.S.: Não que eu já não acredite na força da Política, mas vivemos tempos tão loucos que o outro já não nos comove, e deixamos de pensar coletivo para pensar apenas no individual... E isso, aos poucos vai matando o outro...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

INVESTIMENTOS E INVESTIDAS


Eram cerca de 23:40h quando cheguei hoje em casa após mais um dia de estudos, principalmente tratando-se da “Death Week”, nome carinhoso dado pelos alunos da sala à semana de provas. Como rotina, decidi acessar a Internet a fim de descobrir o que se passou ao redor do mundo, enquanto estive com os olhos grudados nos livros. Ao abrir a página de um jornal on-line de grande circulação dou de cara com a notícia de que a Secretaria Estadual de Segurança PÚBLICA (só para ficar claro, PÚBLICO, segundo o minidicionário Soares Amora, diz que: “1. Que se refere ou pertencente AO POVO; 2. que serve para o uso de TODOS”) do Rio de Janeiro havia comprado seu mais novo “brinquedinho”, o helicóptero blindado Estadunidense no valor de R$ 8 000 000,00 (Oito Milhões de Reais), o que denominaram “caveirão do ar”, alusão – para quem não sabe – ao carro blindando usado pela polícia nos confrontos contra os bandidos dos morros carioca.

O Superblindado dos ares agora faz parte da frota da referida Secretaria e será usado, segundo a notícia, em operações conjuntas com a Polícia Civil. Bem, o que começou a me deixar encrencado foi o seguinte questionamento, será mesmo quanto o Estado tem investido (eficazmente) na educação, saúde e amparo das milhares de pessoas que vivem abaixo da miséria? Neste sentido, surge-me a indignação do presente momento. Não contente em entrar nos morros apenas para devastarem as vidas dos que lá moram, com a manutenção e aceitação da miséria, efetuando uma espécie de “limpeza social”, isto é, simplesmente eliminando todos os que não se adaptaram (ou não conseguiram se adaptar) ao sistema imposto, eles agora se renovam para continuar na “Guerra contra o tráfico”, ou seria guerra contra os excluídos?

Um outro fato interessante chama-me a atenção, o veículo estará sobre a guarda da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, neste momento, como já foi transcrito em parágrafo anterior, a quem se refere a Publicidade da Secretaria? Isto é, quem são os verdadeiros segurados da Secretaria? A que Público a Secretaria Pública defende de fato? Percebo então a contínua reprodução de um sistema de “contenção social”, no qual a saída nunca é a resolução do cerne do problema, mas sempre o amparando em medidas supérfluas para conter aqueles que são tidos como “dejetos” da sociedade.

O “caveirão do ar” como foi denominado, provavelmente vem cumprir, como seu parente terrestre, o “brilhante” papel de conter o avanço das classes pobres sobres os bens dos ricos, amenizando, a tal guerra de classes disparada pela alarmante desigualdade social existente no país, uma guerra dos que têm contra os que não têm, enquanto isso, a educação, a saúde, a moradia, são valores perpetrados na aniversariante do mês, a Constituição Federal da República – a “Constituição Cidadã” – são esquecidos em prol de uma Publicidade de poucos, ou seja, o termo Público, é deturpado em prol de uma única classe.

Não que eu defenda o não investimento em segurança, mas ao passo deste deve ser feito um vasto investimento de transformação efetiva da sociedade com medidas válidas, e não meros paliativos, nos quais se usará da força para continuar mantendo os revoltosos afastados da PUBLICIDADE e da CIDADANIA que versa a Constituição. Ao passo disso, continuamos indiferentes à realidade, escondidos sob o manto de nossos ar condicionados, com os fones em nossos ouvidos e com os vidros fechados à realidade, continuamos presos em nossas “bolhas”, e ficamos satisfeitos com essa manutenção dos “excluídos”... E assim percebemos, mais uma vez, um Investimento Público tornar-se uma investida contra a CIDADANIA do público brasileiro.

São Luís – MA, 02 de outubro de 2008.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

JUSTIÇA DE PEDRA

Justiça
Fui lesado em meus direitos, onde por ele cobrar?
Decidi ir à Justiça, para sua mão poder alcançar.
Em favor da humanidade, tão surrada, humilhada e sem paz.
Chegando então à sua porta, d’um susto pulei para trás.
Uma gigante esperava-me, com sua espada em seus punhos, mais parecia um capataz.
Fingindo não me enxergar, com uma venda fininha, ela não me enganará.
Correndo de medo, pensei, Justiça não é aquela acolá.
Pois uma verdadeira Justiça, não põe medo em ninguém.
Mas nos acolhe e à realidade transforma, fazendo a todos o Bem!

São Luís - MA, sexta-feira, 02 de abril de 2008.

Ps. Fruto de reflexões sobre a Justiça, e a metáfora proporcionada pela Thêmis e sua espada. Como deve ser a Justiça, acolhedora ou repressora? Alguém te recebe de bom grado se te recebe com espada nas mãos? Na minha perspectiva, não, mas são apenas divagações.

Pps.: Querid@s, estava por um tempo afastado, mas estou retomando as atividades "bloguísticas", o que me fez perceber que a falta de criaticidade se deu, em parte, por falta de leitura, mas estou retomando as leituras a fim de manter uma freqüência.

Abs!